quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Criança tem querer sim!

“Criança não tem querer!” Ouvi isso duas vezes nesta semana, de uma mãe e de um pai para seus filhos - de famílias diferentes, esclarecidos, inteligentes, eles próprios uns desobedientes anticonvencionais.

Como assim? Como assim “criança não tem querer”? E se alguém viesse para você e dissesse “pai não tem querer”, ou “esposa não tem querer”, ou ainda “marido não tem querer” e "velho não tem querer" (ah! esta é capaz da pessoa ouvir de seu filho um dia...)? Ou quem sabe “cidadão não tem querer”?

Espera-se que a criança aceite tal limitação?
Claro que não! E foi por isso que essas crianças ao ouvirem isso espernearam, brigaram, ficaram infelizes e revoltadas (com raiva) com seus pais. 


Os pais que dizem que “criança não tem querer” estão educando? 

Não. Primeiro, porque repetem uma besteira que ouviram de seus pais ou babás (talvez essa frase lhes dê o aconchego, mais ou menos como lembrar de tomar óleo de fígado de bacalhau, mas acho difícil). Segundo, porque não ensinam seus filhos a negociar, já que eles nem podem querer (só podem espernear e birrar). Terceiro, porque deixam de explicar que os adultos (aparentemente donos de todos os quereres, deles e de seus filhos) muitas vezes não têm querer, que os adultos muitas vezes precisam fazer o que deve ser feito, mesmo sem vontade, e que às vezes as crianças também terão que fazer o que devem. Fazer o que é certo. Quarto, porque deixam de ensinar a criança a ter empatia com a frustração dos outros, pois não mostram empatia nem com seus próprios filhos (e que exemplo é este?).

Além disso, adultos que dizem que “crianças não têm querer” - numa situação em que a criança está com dificuldades de aceitar os limites - deixam de fortalecer um vínculo de confiança com as crianças, deixam-nas sozinhas a trabalhar sem orientação a frustração de uma situação em que não têm controle.

É óbvio que criança tem querer. Adultos quase sempre podem perguntar o que as crianças querem e negociar uma solução, normalmente podem avisar com antecedência que algo indesejável para a criança vai acontecer, sempre podem ser empáticos com a frustração das crianças, e podem explicar com delicadeza o porquê de uma situação inevitável.

Assim tento fazer com minha filha. Pergunto o que ela quer e tento negociar. Quando não poderei negociar, tento avisar com antecedência para ela se preparar e se sentir no controle. Quando isso não é possível ou quando mesmo assim ela sofre, sou empático e carinhoso. E sempre tento explicar tudo, até ela se acalmar e entender o que aconteceu e porquê. Por isso, em geral, minha filha não esperneia, não bate o pé, não sente raiva de mim, e colabora comigo.

Experimente!

2 comentários:

  1. Acho que essa frase se aplica quando, por exemplo, a criança não quer tomar um remédio que ela precisa, ou não quer tomar banho, ou não quer comer, ou não quer sair de casa, mas os pais precisam levá-la porque não tem quem fique em casa para cuidá-la, não sendo ela ainda capaz de se cuidar sozinha! Não é que a criança não tenha querer, claro que ela tem, mas convenhamos que em várias situações são os pais que sabem o que é melhor para ela, responsáveis por assegurar sua saúde, segurança e conforto, não cabendo escolhas quanto a isso! Talvez seja melhor dizer: "Filho(a), nessa situação vc não tem escolha, então a mamãe (ou papai) vai ter que fazer o que é melhor pra vc!". ;-)

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  2. E como a gente ensina a negociar? e nas coisa que não tem como negociar (banho, remédio, comida)? (grande dúvida pra mim que tive uma educação autoritária e violenta, muitas vezes não sei como agir em determinadas situações de crise).

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